Centrais sindicais e partidos de esquerda se unem no 1º de maio para criticar Bolsonaro

Evento em São Paulo reuniu, no mesmo palco, Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL), candidatos derrotados nas eleições de 2018

A celebração do Dia do Trabalho em São Paulo, berço do sindicalismo, uniu pela primeira vez dez centrais sindicais , duas frentes populares e representantes de partidos de esquerda como PT, PSOL e PSTU em um ato crítico ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

O mesmo palanque reuniu Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL), candidatos derrotados na disputa pela Presidência em 2018, e o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que teve um papel de destaque na articulação que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016.

A reforma da Previdência, proposta mais importante da agenda do governo Bolsonaro, foi escolhida como o foco dos ataques nesta quarta-feira.  No Rio, nove centrais sindicais organizaram um ato na Praça Mauá, Zona Portuária, também para protestar contra a reforma.

Especialistas dizem que, sem mudanças nas regras para aposentadoria, a sustentabilidade do próprio sistema está em risco, assim como o crescimento da economia brasileira. O objetivo da reforma é conter o déficit do sistema de aposentadorias do país, que apresenta rombos crescentes desde 1997. Isso impede que o governo destine mais recursos a saúde, educação, segurança e outros serviços públicos. Além disso, o atual sistema contribui para a concentração de renda, já que os mais ricos se aposentam precocemente, por idade, enquanto os mais pobres precisam atingir as idades de 60 (mulheres) e 65 (homens) para acessar o benefício.

O deputado federal Paulinho da Força, líder da Força Sindical, disse que a oposição não tem força para barrar a aprovação da reforma da Previdência, mas afirmou que “a rua” dará força para negociar uma reforma “justa”.

Ele disse que os partidos do centrão trabalham para aprovar uma reforma desidratada, que irá economizar metade do estimado pelo governo. Isso, segundo ele, pode evitar a a reeleição do presidente Bolsonaro.

— Quanto mais tempo ganharmos na tramitação da reforma, mais gente fica contra — disse.

Paulinho afirmou que a unificação do ato entre as centrais é o resultado do atual cenário político vivido pelo país:

— E também das dificuldades vividas pelas centrais. É um ato histórico, que vai nos dar força.

Haddad considerou o ato do 1º de Maio como uma espécie de inauguração de uma agenda dos representantes da esquerda contra o governo Bolsonaro. O candidato derrotado do PT nas eleições de outubro do ano passado reconheceu que parte da população ainda nutre esperanças de que o governo vai conseguir implementar medidas que resolvam parte dos problemas vividos pelo país.

— Mas a cada dia o próprio governo dilapida o seu patrimônio político. As pesquisas de opinião dão conta que os mais pobres estão desistindo desse governo. Porque é um governo que não dialoga com os anseios de quem quer trabalhar e estudar. São segmentos da sociedade que ele discrimina gratuitamente — disse Haddad, que complementou em seguida:

— O atual governo está levando adiante a agenda neoliberal do ex-presidente Michel Temer, com cortes de direitos trabalhistas. E a reforma da Previdência não tem nada de diferente. Queremos que os brasileiros tenham um livro na mão e uma carteira assinada na outra — afirmou o petista.

— O presidente Bolsonaro disse que o ato estaria esvaziado e aqui está nossa resposta. Nós vamos colocar o Brasil no eixo de novo. Não é possível que um país deste tamanho tenha que acabar com a Previdência. O governo precisa de uma política de crescimento econômico — acrescentou Vagner Freitas, presidente da CUT.

Bolsonaro foi alvo de críticas em protesto do Dia do Trabalhador em São Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Miguel Torres, presidente da Força Sindical, classificou como histórica a unificação das centrais no ato. Para Ricardo Patah, presidente da UGT, a unificação das centrais foi uma quebra de paradigma. A União Geral dos Trabalhadores (UGT) também aderiu ao ato único, embora tenha uma posição diferente das demais centrais sobre a reforma da Previdência. A entidade é favorável à reforma, mas com mudanças. O presidente da UGT, Ricardo Patah, afirmou que a central defende uma reforma com gestão eficiente e equidade entre todos os trabalhadores.

Boulos cobrou a presença do candidato derrotado do PDT, Ciro Gomes, no ato no centro de São Paulo:

— Acho que o Ciro Gomes deveria estar aqui — disse.

Haddad, entretanto, minimizou:

— O Lupi (Carlos Lupi) está aqui representando ele — afirmou.

Desde o fim da eleição, Ciro fez diversas críticas ao PT e se recusou a formar com os petistas um bloco único de oposição ao governo Bolsonaro

Participaram do ato, além da CUT e da Força Sindical, a CTB, UGT, Intersindical, CSB, CGTB, Nova Central, CSP-Conlutas, da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo.

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