Carille deixa o Corinthians e já tem provável substituto

A torcida do Corinthians até viu o time golear pela Libertadores, mas recebeu uma péssima notícia nesta quinta-feira: Fábio Carille, o grande responsável pela excelente fase da equipe, pode estar de saída do clube. Ele recebeu uma proposta do Al-Hilal, da Arábia Saudita, e estaria disposto a aceitá-la. Até brincou em entrevista coletiva dizendo que estavam lhe oferecendo não um, mas dois caminhões de dinheiro.

Assim, todos já começam a se perguntar quem pode ser o substituto dele no comando do clube. E a resposta pode estar já em casa. Ex-comandante da base e atual auxiliar técnico, Osmar Loss seria o grande favorito para ficar com a vaga. Pesa a seu favor o fato de ele já conhecer o elenco e a filosofia com que o Corinthians trabalha – como foi com Carille, por exemplo.

Mas quem é Osmar Loss?

Nascido em Passo Fundo, em 1975, ele é mais um treinador da chamada escola gaúcha – que deu nomes como Tite e Mano Menezes ao Corinthians, por exemplo.

Osmar Loss contruiu quase toda a sua carreira no Internacional, onde chegou enquanto ainda estudava na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Das escolinhas aos times, foram mais de 20 anos nas categorias de base do clube, com a conquista de quase todos os títulos possíveis. Por lá, começou a ser conhecido como o ‘rei da base’. Pelas mãos dele, passaram nomes como Alexandre Pato, Luiz Adriano e Leandro Damião.

Em 2013, resolveu aceitar o convite do Corinthians para assumir a categoria de base do clube alvinegro. E só aumentou o seu sucesso. Voltou a ganhar quase todos os títulos possíveis e virou o ‘rei da Copinha’. Em quatro anos, foram quatro finais, com dois títulos. E com números impressionantes: 31 vitórias em 34 partidas, além de dois empates e apenas uma derrota.

Desde o começo do ano passado, faz parte da comissão técnica de Fábio Carille. E é um dos grandes responsáveis pelo maior aproveitamento de jogadores das categorias de base, como Maycon, Guilherme Arana, Pedro Henrique, Mantuan e Pedrinho.

Admirador de boas defesas, gosta de se inspirar em José Mourinho. Em reportagem do ano passado, o UOL chegou até a revelar que Loss já fez questionamentos em algumas palestras ao estilo de Pep Guardiola, por trocar muitos passes, se expor em demasia e demorar a finalizar.

Loss tem um estilo estudioso, mas também linha dura. Sempre foi conhecido por gostar mais de defesas fortes, mas recentemente também tem feito bons trabalhos de ataque em treinos do Corinthians. No clube, aliás, ele é responsável pela preparação para alguns jogos, além, claro, de dar alguns treinamentos.

Rei da base, ruim no profissional

O problema de Osmar Loss é que ele acumula três passagens por times profissionais, sem sucesso em nenhum deles.

Sua primeira oportunidade foi em 2010, no Juventude. Ele assumiu o clube em janeiro, caiu nas quartas de final do Campeonato Gaúcho e comandou o time em cinco das 10 rodadas que acabaram culminando no rebaixamento da equipe à Série D do Brasileirão. No total, foram apenas duas vitórias, nove empates e 11 derrotas pelo clube.

Ele acabou voltando ao Internacional e teve outra chance como profissional no ano seguinte, assumindo como interino após a demissão de Falcão. Em seis jogos oficiais, foram duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Ele também empatou mais duas vezes pela Audi Cup, um torneio amistoso, e acabou dando lugar a Dorival Júnior.

Em 2012, comandou o time B contra o Cerâmica no Campeonato Gaúcho e foi derrotado por 2 a 1 – o time principal havia jogado com o Once Caldas no dia anterior. Depois, no fim do ano, assumiu o time mais uma vez como interino, desta vez aós a demissão de Fernandão. Perdeu para a Portuguesa e empatou com o Grêmio nas duas últimas rodadas do Brasileirão.

A última experiência como técnico profissional veio em 2015. Ele acabou ‘emprestado’ pelo Corinthains ao Bragantino, que então disputava a Série B. Mas não teve saldo positivo mais uma vez: quatro vitórias, um empate e sete derrotas.

Assim, Loss soma oito vitórias, 15 empates e 22 derrotas como profissional, somando as passagens por Juventude, Internacional e Bragantino.

Desta vez, porém, Osmar Loss tem algo que não tinha em nenhuma de suas oportunidades anteriores: experiência trabalhando sem pressão por resultados com jogadores profissionais. Em quase um ano e meio ao lado de Carille, ele pôde aprender a diferença entre atletas da base e do profissional. E pode por isso em prática se tiver a chance.

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