Suspeitos falam em “ânimos exaltados” após ato de injúria racial e querem pedir perdão a segurança do Mineirão

Suspeitos de praticar injúria racial contra segurança prestaram depoimento em delegacia — Foto: Saulo Luiz/TV GloboSuspeitos de praticar injúria racial contra segurança prestaram depoimento em delegacia — Foto: Saulo Luiz/TV Globo

Suspeitos de praticar injúria racial contra segurança prestaram depoimento em delegacia — Foto: Saulo Luiz/TV Globo

O fato ocorreu no último domingo, após o clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG. Os irmãos chegaram à delegacia nesta terça, por volta de 12h. Torcedor do Atlético-MG, Natan negou que tenha chamado o segurança de macaco.

– De forma alguma, tanto é que eu tenho irmão negro, tenho pessoas que cortam o meu cabelo que são negros, amigos que são negros. Isso não foi da minha índole, pelo contrário. A forma que está circulando nas redes sociais, na imprensa, que eu dirigi a palavra a ele de ‘macaco’, de forma alguma eu falei aquilo. A palavra direcionada foi ‘palhaço’ e não ‘macaco’ – disse.

O irmão, Adrierre, cuspiu no segurança e em seguida gritou: “Olha sua cor!”. Nesta terça, ele disse estar arrependido.

– Eu não sou racista. Estou arrependido por aquilo que eu falei. Falei num momento de ânimos exaltados na hora do jogo. Quero pedir perdão a ele, por todos os insultos que eu fiz, pelo cuspe que eu proferi. Aquilo não é da minha índole. Sou um pai de família, crio minhas filhas para respeitar todos os seres humanos. Se tiver uma oportunidade, pessoalmente, quero pedir perdão a ele pelo meu ato, naquele momento.

Adrierre Siqueira justificou a atitude contra segurança por estar com "ânimos exaltados" — Foto: Saulo Luiz/TV GloboAdrierre Siqueira justificou a atitude contra segurança por estar com "ânimos exaltados" — Foto: Saulo Luiz/TV Globo

Adrierre Siqueira justificou a atitude contra segurança por estar com “ânimos exaltados” — Foto: Saulo Luiz/TV Globo

Excluídos de programa de sócios do Atlético-MG

No fim da tarde desta terça, a direção do Atlético-MG informou que os dois suspeitos foram desligados do quadro de associados do Galo na Veia, programa de sócio-torcedor do clube alvinegro (confira abaixo a íntegra da nota).

“O Clube Atlético Mineiro informa que os dois torcedores identificados pela Polícia Civil, acusados de praticar injúria racial no clássico do último domingo, pertenciam ao programa Galo na Veia, embora inadimplentes. De qualquer forma, ambos foram desligados do programa de sócio-torcedor do Clube.”

“Foi pesado demais”

Um dia após o clássico, o segurança Fábio Coutinho, de 42 anos, disse que viveu a situação mais delicada de sua carreira. Ele relembrou o momento em que foi ofendido.

– A nossa intenção era barrar a ida dos atleticanos para uma área restrita, a área da imprensa, mas os atleticanos queriam passar de qualquer jeito – disse Coutinho.

Nascido no Rio de Janeiro, o segurança mora em Belo Horizonte há sete anos e adotou o Atlético-MG como time. Ele trabalha como segurança há três anos e presta serviço no Mineirão desde o início deste ano. Atuar em dia de jogo do Galo era uma alegria para ele.

– Foi triste, foi pesado demais. ‘Olha sua cor, não põe a mão em mim’. Então, pela minha cor, eu sou inferior a outro ser humano? – questionou, emocionado.

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