Argentina anuncia saída da Unasul devido ao ‘alto conteúdo ideológico’ do bloco

O governo da Argentina oficializou nesta sexta-feira que o país está se retirando da União das Nações do Sul (Unasul) devido à crise que o organismo atravessa e seu “alto conteúdo ideológico”. A participação do país estava suspensa desde o ano passado.

Com isso, a Argentina se junta a Colômbia, Equador, Paraguai e Peru entre os países que já abandonaram o bloco criado em 2004 por impulso do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do falecido líder venezuelano Hugo Chávez para coordenar políticas regionais, quando boa parte da região tinha à frente governos de esquerda.

“Esta decisão foi tomada em vista da crise que atinge este organismo, manifestada na acefalia da secretaria-geral por mais de dois anos, assim como pela desordem administrativa que prevaleceu na organização nos últimos tempos”, explicou o governo argentino em um comunicado.

A decisão do governo do presidente Mauricio Macri se dá após oito dos 12 países da América do Sul, todos atualmente com governos conservadores, assinarem em 22 de março a Declaração de Santiago que deu origem ao  Fórum para o Progresso da América do Sul (Prosul) — uma iniciativa liderada por Chile e Colômbia, que contou com a adesão de Brasil, Argentina, Equador, Paraguai, Peru e Guiana. Sebastián Piñera, presidente do Chile e anfitrião do encontro em março, assumiu a presidência pro tempore do novo organismo pelo período de um ano.

— Este será um fórum aberto a todos os países e sem ideologias, que respeitará as diversidades e diferenças — declarou então Piñera, defendendo-se das críticas da oposição chilena e de especialistas de que o novo fórum ficará marcado pela posição de direita dos atuais dirigentes dos países fundadores e terá, como a Unasul, pouco tempo de vida.

A Unasul entrou em um impasse a partir de 2017, quando não conseguiu um consenso para eleger um novo secretário-geral, ao fim do mandato no cargo do ex-presidente colombiano Ernesto Samper. Em março, o Equador, onde fica a sede da Unasul, anunciou sua saída do fórum e pediu a devolução do edifício ao governo nacional. O Parlamento da Unasul, sediado na Bolívia, nunca chegou a eleger representantes.

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