Caso Battisti teve três momentos tristes para o Estado brasileiro

Por Marco Antonio Villa

Depois de anos no Brasil, Cesare Battisti fugiu após ter extradição decretada e foi preso na Bolívia. De lá, está sendo transferido para Roma, na Itália, onde ficará preso por homicídios cometidos na década de 1970 em grupo comunista. A previsão é de que o terrorista chegue ao local onde cumprirá pena já na tarde desta segunda-feira (14).

Para Marco Antonio Villa, o caso revela “três momentos tristes do Estado brasileiro”. O primeiro é a “complacência” dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. “Lula fechou os olhos, Dilma também. Apoiaram a permanência dele.” A decisão de não extraditar o italiano aconteceu no último dia de mandato de Lula.

O segundo “momento triste”, para o professor, envolve o Supremo Tribunal Federal. “O STF abdicou da decisão de decidir sobre a extradição.” Foi assim que a decisão caiu nas mãos do petista que hoje está preso e, depois, não foi mais revista. O caso só voltou a ganhar destaque com a campanha presidencial de Jair Bolsonaro.

O terceiro ponto apontado por Villa é o governo de Michel Temer. Para ele, o decreto de extradição foi elaborado para “ganho político pessoal” do agora ex-presidente da República. Além disso, não houve comunicação eficaz entre a gestão e a Polícia Federal, o que permitiu que o terrorista italiano fugisse para a Bolívia.

“Ele já não estava no Brasil [quando o decreto foi assinado]. Isso devia ter sido feito antes, muito antes. [Temer] Devia ter avisado a Polícia Federal. E a Polícia Federal devia ter acompanhado [os passos de Battisti], mas não acompanhou [e ele fugiu]”, disse. “Agora, foi extraditado para a Itália e vai cumprir prisão perpétua.”

 

*Publicado inicialmente na Jovem Pan

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