Dirceu não tem uma biografia a preservar, e sim um prontuário a esconder

Por Augusto Nunes

Em 1968, quando era presidente da UNE, José Dirceu resolveu que o congresso clandestino da União seria realizado em Ibiúna. Até os cegos do lugarejo estranharam a decisão. No primeiro dia, ele mandou encomendar 1,2 mil pães ao padeiro que nunca passara dos 300 por dia. O comerciante procurou o delegado, o doutor ligou aos chefes na capital e a turma acabou na cadeia.

No ano seguinte, Dirceu foi descansar na França. Em vez de trocar chumbo no campo, ele achou mais prudente trocar alianças.

Em 1979, quando a Anistia foi decretada, abandonou a cidade, o filho e a mulher. Livre de perigos, Dirceu ajudou a fundar o PT e não demorou a virar dirigente. Depois da vitória do partido em 2002, virou chefe da Casa Civil. Mandou e desmandou até a explosão de um escândalo.

Em 2005, afundado pela polêmica do mensalão, conseguiu ser cassado pela Câmara. Desempregado, descobriu que nascera para prosperar como traficante de influências. Em 2012 foi preso. Lá recuperou o direito de ir e vir graças a Gilmar Mendes.

*Publicado primeiro na Jovem Pan

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